A priori, é válido ressaltar que a ideologia,
em seu conceito, não é algo ruim, mas quando se trata de um ideal cego e com
falsos fundamentos positivos sociais, isso sim pode vir a ser um grande revés. Nesse
sentido, pode-se afirmar que qualquer tipo de extremismo é ruim e ameaçador, pondo
em risco vidas humanas. Um bom exemplo a ser mencionado é o Nazismo. Este ideal,
criado por Adolf Hitler, pregava que a raça ariana era uma classe superior e
qualquer um que não atendesse os requisitos impostos por essa sociedade ou se
opusesse, deveria ser punido com tortura e morte. Ainda concernente a isso,
pode-se fazer um questionamento um tanto quanto interessante: como as pessoas
boas conseguem tomar para si valores que muitas vezes são antiéticos e/ou
desumanos? A resposta é bem simples, e Nelson Garcia (1999) responde muito bem.
Segundo o autor, em seu livro Propaganda:
Ideologia e Manipulação, mesmo um junto de pessoas formulando os seus
conceitos tentando ocultar seus reais objetivos para, assim, conseguir um maior
número de adeptos, ainda há a possibilidade de estes perceberem e
desintegrarem-se do grupo. Concernente a isso, os indivíduos que propagam suas
ideias, muitas vezes buscam falsear a verdade e impedir de alguma forma que os
seus seguidores tenham acesso a realidade em volta de si. Uma afirmação feita
neste livro condiz muito com o que também é dito na obra de Abraham (2017),
chamada Política, ideologia e
conspirações: as sujeiras por trás das ideias que dominam o mundo. A obra, mais voltada à ideologia
política, basicamente diz que a sociedade
foi dividida em duas ou mais torcidas em uma falsa disputa, e os que nem se
quer precisam lutar são quem realmente saem ganhando, pois estes estiveram
juntos o tempo todo em um terceiro lado, eles não estavam disputando, estavam apenas
ocupando seus seguidores enquanto mantinham o poder, e quem lidera esses
grupos, mesmo em defesa dos pobres, são pessoas de alta classe e,
consequentemente, possuem uma renda superior a de seus liderados. Em síntese,
os seres humanos não conseguem fugir das características ideológicas, seja ela
qual for, o que lembra muito uma frase de Paulo Freire: todos são orientados
por uma base ideológica. A questão é: sua base ideológica é inclusiva ou
excludente? Sendo assim, faça-se necessário que todos saibam os reais efeitos
positivos e negativos da causa a qual está defendendo e que não tomem os seus
valores como verdade e justiça absoluta.
Outrossim, no que diz respeito ao
extremismo, o viés político pode ser classificado como uma das maiores formas
de manipular uma massa, pois esta também atinge a todos ao redor do alienado. O
filósofo Aristóteles dizia que todo ser humano é um zoon politikon, traduzindo significa “animal político”, o ser que
vive para a sociedade, em sociedade. Seguindo essa lógica, João Ubaldo (1998)
também afirma em sua obra que a política é da natureza do homem e mesmo aqueles
que se abstêm de se posicionar estão naturalmente exercendo um direito que lhes
é facultado pelo sistema político em que vive. Muitos se consideram ou se
consideravam “apolíticos”, até mesmo Nietzsche, um filósofo renomado, ele
apresentava o desinteresse pela política como uma opção, e não se envergonhava
disso, em uma correspondência escrita em 1868 ele disse a seu amigo Rohde: “felizmente
para mim, quase nunca se fala de política, pois eu não sou um zoon politikon, e essas são coisas em
face das quais eu me eriço como um porco-espinho”. No entanto, preferir não se
envolver tanto assim com a política não é o maior problema, o maior revés é
quando uma massa é alienada e passar a defender determinadas especificações
achando que está sendo justo. Como dito anteriormente, nesse jogo aqueles que
saem ganhando são os que não precisam lutar, mas para que os ludibriados não se
deem conta do que está a ocorrer, eles são mantidos ocupados, para tanto,
cria-se a rivalidade e o confronto de ideias. Colocam socialistas contra
liberais, comunistas contra capitalistas, esquerdistas contra direitistas e
assim por diante. O mais curioso disso tudo, é que todos os grupos mencionados pensam
que os seus ideais são o caminho para que se construa um mundo mais justo para
todos, com mais oportunidades, com menos falhas e confrontos, quando na verdade
isso não passa uma ótica simplista de se resolver um empecilho complexo, um
falseamento da verdade. E são essas tentativas extravagantes de transformar o
mundo em um lugar melhor que fazem com que as pessoas vivam em um verdadeiro
inferno. Trazendo novamente o exemplo do Nazismo, Hitler se aproveitou da
fragilidade do momento pelo qual a Alemanha estava passando e então ludibriou
os alemães com os seus ideais excludentes. Sendo assim, aqueles que apoiaram
seu governo, se tornaram uma massa de manobra que veio a ser a maioria
dominante, estes achavam que estavam sendo justos e que daquela forma o país
seria um lugar melhor. Desse modo, nota-se a importância das pessoas se
policiarem quanto aos novos princípios que elas passam a seguir e de lutar
contra qualquer tipo de repressão, mesmo que ela não seja uma vítima.
Os atuais conflitos ideológicos e
políticos não são recentes, se parar para refletir e analisar percebe-se que
muitos problemas são históricos ou reflexos do que ocorreu anteriormente. Mesmo
que o século XXI seja chamado de “a era da informação”, os meios de manipular
as pessoas se modificaram e se adequaram com esse tempo, logo é necessário que
a preguiça de ler conteúdos de qualidade e buscar informações confiáveis seja
exterminada, pois sem o conhecimento, sem o pensamento crítico a sociedade não
evolui, as adversidades continuam a persistir e os que já mandam continuam no
poder. Assim como Gary Allen e Larry Abraham afirmam em seu livro, tendo o conhecimento
da verdade, qualquer um pode tomar decisões com mais consciência, e saber de
fato, quais causas, movimentos e ideais valem a pena participar. Para tanto, o
melhor ponto de partida seria na educação, pois esta é o que molda a sociedade,
mas educação não é só conhecimento, é também respeito, empatia e saber conviver
com as diferenças. Então investir em educação, reforçar a cultura da leitura e
a curiosidade do saber, ajudará consideravelmente para que no futuro tenha mais
pessoas com conceitos próximos daquilo que colabora para uma vida harmoniosa em
sociedade. A união do que cada grupo distinto da sociedade pode oferecer de bom,
já ajudaria bastante para que algo mais próximo dos ideais inclusivos que dos
excludentes seja alcançado.
Texto escrito por Djhórdan Gomes.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
RIBEIRO, J. U. Política:
quem manda, por que manda, como manda. Editora Nova Fronteira. 2ª ed. Rio
de Janeiro, 1998.
NUNES, Adérito S. Introdução
ao estudo das ideologias. 1961.
GARCIA, Nélson Jahr. Propaganda:
ideologia e manipulação. Rocket
Edtion, 1999.
ALLEN, Gary. ABRAHAM, Larry. Política, ideologia e conspirações: as
sujeiras por trás das ideias que dominam o mundo. Faro
Editorial. 1ª ed. Trad. Michelle Neris da Silva. Brasil, 2017.
DANAT,
Céline. F. Nietzsche ou a “política”
como “antipolítica”. 2013.







É um bom texto, bem elucidador, bem estruturado e abrangente, com referências pertinentes e muito expressivo quanto a realidade da área politica e social, nas conexões entre estas e quanto a assomar a necessidade de atenção com as propostas daqueles que incitam lutas em prol de ideais próprios.
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