SKINNER: REFORÇO, PUNIÇÃO E EXTINÇÃO

INTRODUÇÃO

O comportamento operante produz consequências no ambiente

A maior parte de nossos comportamentos produz consequências no ambiente. Essas consequências são mudanças no ambiente. Um comportamento simples, como estender o braço, produz a consequência pegar (alcançar) um saleiro (mudança no ambiente: o saleiro passa de um lugar para outro). Em vez de estender o braço e pegar um saleiro, é possível emitir outro comportamento que produzirá a mesma consequência: pedir a alguém que lhe passe o saleiro. No primeiro exemplo, o comportamento produziu diretamente a mudança de lugar do saleiro. No segundo exemplo, o comportamento modificou diretamente o comportamento de outra pessoa e produziu a mudança de lugar do saleiro. Lembre-se de que, quando usamos o termo "resposta", estamos falando sobre o comportamento do indivíduo, sobre o que ele faz, fala, sente, etc.


1. REFORÇO:


Aumento da probabilidade do comportamento voltar a acontecer.
Ex.: se uma criança pede um brinquedo a sua mãe e ela nega, a criança faz birra até que sua mãe dê o brinquedo. Com a ação de dar o brinquedo à criança por ele estar fazendo birra, a mãe está reforçando a ação da criança de fazer birra para conseguir algo.

Os Reforços podem ser Positivos ou Negativos. O Reforço Positivo é a apresentação, o acréscimo de um estimulo agradável. Já o Reforço Negativo, é a retirada, a subtração de um estimulo agradável.

"Temos uma relação entre o organismo e seu ambiente, na qual o organismo emite uma resposta (um comportamento) e produz alterações no ambiente. Quando as alterações no ambiente aumentam a probabilidade de o comportamento que as produziu voltar a ocorrer, chamamos tal relação entre o organismo e o ambiente de contingência de reforço, que é expressa da forma "se... então..." (se o comportamento X ocorrer, então a consequência Y ocorre; se o rato pressiona a barra, então ele recebe água). No exemplo da criança que "faz birra" para que seus pais a atendam, podemos identificar o reforço e os seus efeitos claramente. Cada vez que a criança "faz birra" (com portamento/resposta) e seus pais a atendem (conseqüência), aumentam as chances (a probabilidade) de que, na próxima vez que a criança queira algo, ela se comporte da mesma forma. Dizemos, então, que esse evento (receber o que está pedindo) é um reforço para o comportamento de "fazer birra"."(MOREIRA, Márcio Borges. 2007)

1.1 Reforçadores naturais versus reforçadores arbitrários

"No momento em que a consequência reforçadora do comportamento é o produto direto do próprio comportamento, dizemos que a conseqüência é uma reforçadora natural. Quando a conseqüência reforçadora é um produto indireto do comportamento, afirmamos que se trata de um reforço arbitrário. Por exemplo, o comportamento de um músico de tocar violão sozinho em seu quarto é reforçado pela própria música (reforço natural); se ele toca em um bar por dinheiro, nos referimos a um reforço arbitrário.
Baseado no que foi apresentado até agora, que resposta você daria à seguinte pergunta: reforçar é o mesmo que "comprar" ou chantagear alguém? Por exemplo, "se você fizer isto, eu lhe dou aquilo”, ou se a criança fizer os exercícios de matemática, ela ganha um chocolate. Com certeza, concordamos com o fato de que ninguém deve estudar para ganhar chocolates. Mas o que então deve manter (reforçar) o comportamento de estudar? (Atenção! Este é um ponto fundamental deste capítulo.) Muitas vezes, quando as consequências reforçadoras de um comportamento não são tão óbvias quanto ganhar um chocolate (reforço arbitrário), começamos a recorrer a explicações mentalistas (jogar para dentro do indivíduo as explicações de seus comportamentos)."(MOREIRA, Márcio Borges. 2007)

2. PUNIÇÃO: 

Diminuição da probabilidade do comportamento voltar a acontecer.
Exemplo: se uma criança faz birra para que a mãe lhe dê um brinquedo, mas a mãe, ainda assim, não dá, a probabilidade da criança voltar a fazer birra para conseguir algo será bem menor.

As Punições também podem ser Positivas ou Negativas. A Punição Positiva é a apresentação de um estímulo aversivo (Estímulo aversivo é algo que causa desprazer, algo que cause um incômodo, como dor física, constrangimento, dor emocional, etc.). Já a Punição Negativa, é a retirada de um estímulo agradável. 

DEIXO LOGO ABAIXO UMA TABELA PARA MELHOR MEMORIZAR.


OBSERVE A REPRESENTAÇÃO ABAIXO:

LEIA-SE:
Sd: Contexto antecedente;

R: Ação;
C: Consequência.

3. EXTINÇÃO OPERANTE

"Até aqui percebemos que o comportamento produz consequências e que essas consequências podem afetar a probabilidade de o comportamento voltar a ocorrer. Analisamos também que algumas consequências especiais (o reforço) aumentam ou mantêm a probabilidade de um comportamento ocorrer. É comum que algumas consequências produzidas por alguns comportamentos deixem de ocorrer quando um determinado comportamento é emitido. Quando isso acontece, observamos, no comportamento que produzia tais consequências, efeitos exatamente contrários aos produzidos pelo reforço (pela conseqüência reforçadora). Quando suspendemos (encerramos) o reforço de um comportamento, verificamos que a probabilidade de esse comportamento ocorrer diminui (retoma ao seu nível operante, isto é, a frequência do comportamento retoma aos níveis de antes de o comportamento ter sido reforçado). Esse procedimento (suspensão do reforço) e o processo dele decorrente (retorno da frequência do comportamento ao nível operante) são conhecidos como Extinção Operante. Portanto, a suspensão do reforço (procedimento de extinção do com portamento operante) tem como resultado a gradual diminuição da freqüência de ocorrência do comportamento (processo de extinção do com portamento operante)."(MOREIRA, Márcio Borges. 2007).

3.1 RESISTÊNCIA À EXTINÇÃO
"Concluímos que, nas situações em que o reforço é suspenso, a frequência do comportamento diminui. Mas por quanto tempo ele se mantém após a suspensão do reforço? Por exemplo, desistir? Uma pessoa telefona quase todos os dias para o celular de um amigo (comportamento) e conversa com ele (reforço); o amigo muda o número do celular e não a avisa. A pessoa liga e não é atendida (suspensão do reforço: extinção). Quantas vezes ela ligará para o amigo antes de desistir? Outro exemplo: um ratinho pressiona a barra em uma caixa de Skinner (comportamento) e recebe água (reforço); desliga-se o bebedouro da caixa: o ratinho pressiona a barra e não recebe mais a água (suspensão do reforço: extinção)."(MOREIRA, Márcio Borges. 2007).

3.2 FATORES QUE INFLUENCIAM A RESISTÊNCIA À EXTINÇÃO

"Ao analisarmos os fatores que influenciam a resistência à extinção de um comportamento, estamos, na realidade, perguntando: por que desistimos mais facilmente de algumas coisas que de outras? Por que algumas pessoas são mais perseverantes (emitem comportamentos que não são reforçados) que outras? Por que algumas pessoas prestam vestibular para medicina 8 ou 9 vezes sem serem aprovadas, enquanto algumas desistem já na primeira reprovação? As respostas a estas perguntas estão na história de aprendizagem ou na história de reforçamento de cada um. Basicamente, três fatores influenciam a resistência à extinção de um comportamento: número de reforços anteriores, custo da resposta, esquemas de reforçamento."(MOREIRA, Márcio Borges. 2007).

3.3 OUTROS EFEITOS DA EXTINÇÃO

"O principal efeito da Extinção Operante é o retorno da frequência do comportamento aos níveis prévios (nível operante). No entanto, além de diminuir a frequência da resposta até o nível operante, a extinção produz outros três efeitos muito importantes no início do processo: Aumento na frequência da resposta no início do processo de extinção, Aumento na variabilidade da topografia (forma) da resposta, Eliciação de respostas emocionais (raiva, ansiedade, irritação, frustração, etc.)."(MOREIRA, Márcio Borges. 2007)

REFERÊNCIA
MOREIRA, Márcio Borges; MEDEIROS, Carlos Augusto de. Princípios Básicos de Análise e do Comportamento. Editora ArtMed, 2007.

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